Gancho

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R. do Vigário 70B, 1100-616 Lisboa, Portugal
Restaurante
9.8 (574 avaliações)

Situado na Rua do Vigário, o Gancho apresenta-se como uma "neo-tasca" que resulta da visão conjunta da chef Louise Bourrat, já conhecida pelo seu trabalho no Boubou's, e do seu parceiro, o mixologista Marco Cossu. Este projeto pessoal procura afastar-se da formalidade de outros espaços, focando-se numa abordagem mais descontraída e pessoal à restauração. A proposta assenta na fusão de influências gastronómicas de Portugal, França e Itália, resultando numa carta que os próprios descrevem como "comida de conforto" com um toque irreverente e criativo. A filosofia é cozinhar "com o coração", utilizando o espaço do antigo restaurante Boi-Cavalo para oferecer uma nova dinâmica à cena gastronómica de Alfama.

Uma Proposta Culinária Criativa e Pessoal

O grande destaque do Gancho é, sem dúvida, a sua cozinha. A ementa é um reflexo direto das raízes dos seus criadores, oferecendo pratos que são simultaneamente familiares e surpreendentes. Um dos pontos mais elogiados é a criatividade e a execução dos pratos principais. As críticas destacam criações como o polvo e a couve-coração com molho picante como pratos bem concebidos e executados com mestria. A ementa, que muda mensalmente para se adaptar aos produtos da estação, demonstra um compromisso com a frescura e a qualidade dos ingredientes.

Entre os pratos que já se tornaram assinatura da casa, e que frequentemente surgem nas recomendações, estão os arancini de cabidela, uma fusão ousada e bem-sucedida, e o Bacalhau à Brás, confeccionado a partir de uma receita da avó da chef Louise, o que lhe confere um caráter afetivo e autêntico. Outras criações notáveis incluem o porco preto tonnato, uma reinterpretação do clássico italiano, e a sobremesa que gera curiosidade: o crème brûlée com CBD. Esta abordagem demonstra uma vontade de não seguir padrões de sabores convencionais, proporcionando uma experiência gastronómica que desafia o paladar a cada prato. Uma vantagem interessante para os clientes é a possibilidade de pedir vários pratos em meias-doses, incentivando a partilha e a descoberta de mais sabores numa única refeição.

Ambiente e Bebidas: Mais do que um Jantar

O Gancho não se limita a ser um sítio onde comer em Lisboa; ambiciona a ser um local de convívio. O ambiente é descrito como íntimo, caloroso e confortável, com uma decoração que, embora simples, cria um ambiente acolhedor. A música, selecionada por Marco, que também atua como DJ nas horas vagas, desempenha um papel fundamental na criação de uma atmosfera descontraída e moderna. A cozinha aberta é outro elemento central, permitindo que os clientes observem a equipa em ação e sintam a energia do serviço.

A carta de bebidas está ao mesmo nível da comida. Como mixologista, Marco Cossu desenvolveu uma seleção de cocktails de autor criativos, que complementam a oferta culinária. Para além dos cocktails, a aposta em vinhos de baixa intervenção mostra uma atenção às tendências atuais e um desejo de oferecer produtos distintos e de qualidade. Este cuidado com a harmonia entre comida e bebida eleva a experiência de um simples jantar em Lisboa a algo mais completo.

Aspetos a Ter em Consideração

Apesar da elevada classificação e das críticas maioritariamente positivas, existem alguns pontos que potenciais clientes devem considerar para gerir as suas expectativas. Um dos aspetos mencionados em algumas avaliações é o ritmo do serviço. Embora a equipa seja descrita como amigável e sincera, há relatos de que o serviço pode, por vezes, ser um pouco confuso ou mais lento do que o esperado. Este fator pode estar ligado à natureza relaxada do conceito, mas é um ponto a ter em conta para quem procura uma refeição com um ritmo mais acelerado.

Outra observação recorrente refere-se ao tamanho das porções, que alguns clientes consideraram que poderiam ser mais generosas. Embora a opção de meia-dose seja um ponto positivo para a degustação, quem tem maior apetite pode sentir necessidade de pedir vários pratos para ficar satisfeito. Adicionalmente, uma crítica apontou que as entradas (ostras e croquetes) não foram tão impressionantes como os pratos principais. Isto pode sugerir que, como em qualquer cozinha criativa, a consistência entre todos os itens da ementa pode variar, com alguns pratos a destacarem-se claramente mais do que outros.

Horário e Reservas

Um fator logístico de grande importância é o horário de funcionamento do Gancho, que é bastante específico. O restaurante em Lisboa opera exclusivamente ao jantar, de terça-feira a sábado, encerrando ao domingo e à segunda-feira. A cozinha funciona, geralmente, até às 22h30 ou 23h00, altura a partir da qual o espaço transita para um ambiente mais de bar, onde os cocktails e a música ganham protagonismo. Esta particularidade faz com que seja essencial planear a visita e, dada a popularidade e o espaço limitado, a reserva de mesa é fortemente recomendada para garantir lugar.

Em suma, o Gancho posiciona-se como um achado para quem procura uma cozinha de autor autêntica e uma experiência que vai além do convencional. É o local ideal para o comensal aventureiro, que valoriza a criatividade, a história por trás dos pratos e um ambiente vibrante e pessoal. Embora existam aspetos como a velocidade do serviço e o tamanho das porções que possam não agradar a todos, a qualidade e originalidade da sua comida saborosa, aliadas a um ambiente único, colocam-no como uma das propostas mais interessantes para jantar na zona de Alfama.

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